Cristãos e a (triste) divulgação de notícias falsas

A person sees a white inscription on a black smartphone display that holds in his hand. Fake news!

Quem frequenta os espaços midiáticos digitais certamente já se deparou com a expressão “fake news”. Do Whatsapp ao Facebook, do Twitter ao Youtube, para citar os mais populares, o processo é simples: alguém, intencionalmente, produz e divulga um conteúdo falso na internet, geralmente no formato de notícia para criar mais veracidade, valendo-se até mesmo de dados científicos adaptados; ela é debatida nos espaços das mídias sociais; torna-se algo reconhecido, com caráter de sabedoria e verdade; quando a mentira é questionada como algo que evidentemente não é verdadeiro, por vezes há quem as defendem até o fim.

Este tema é antigo mas ganhou o mundo desde 2016 por conta da popularidade das mídias sociais e da interferência desta desinformação em temas de interesse público. Naquele ano as notícias falsas alimentaram a retirada da Grã-Bretanha da União Europeia (o Brexit) e, também, as eleições dos EUA que levaram Donald Trump ao poder. No Brasil, nessa época, já havia muito conteúdo falso espalhado pelas mídias sociais, mas foi em 2018, com a campanha eleitoral que ele explodiu. O caso se tornou tão grave que temos hoje dois inquéritos em curso, um no Supremo Tribunal Federal (STF), outro na Comissão Parlamentar Mista de Inquérito, a CPMI das Fake News.

O pesquisador da Universidade Federal da Bahia Prof. Wilson Gomes explica que neste período de quatro anos, foi criada uma engrenagem de produção e de disseminação de notícias falsas para que grupos interfiram, de forma criminosa, em temas de interesse público. A falsificação e a distribuição de fake news são um tipo de tráfico. Há, como, acontece com as drogas, produtores, financiadores, “traficantes” grandes e pequenos, “soldados”, “aviões”, e “viciados” (aqueles das nossas relações pessoais que estão nas mídias sociais consumindo fake news).

Tudo é gerado por grandes “traficantes”/falsários da informação, em ritmo industrial. Ligados aos grandes falsários produtores estão os “traficantes” que distribuem o produto. São políticos, ativistas auto-denominados jornalistas, humoristas e youtubers, blogueiros e líderes religiosos. Os empresários financiadores que atuam na engenharia de produção também atuam no tráfico de fake news.

A questão é que há cristãos que espalham notícias falsas para defender seus interesses públicos e ainda usam conteúdo religioso como capa para essas ações criminosas, utilizando-se da fé dos “viciados”, seus consumidores. E ainda debocham da fé cristã ao usarem e abusarem das palavras de Jesus “Conhecereis a verdade e a verdade vos libertará” (João 8.32). Mas por que pessoas cristãs acreditam e ainda ajudam a divulgar e a consolidar as mentiras da internet? É fato que pessoas cristãs são pessoas crentes, que acreditam não só em Deus mas nas lideranças que falam sobre Ele e nos grupos que estão nas igrejas em torno Dele. Com isso, muita gente abusa da boa fé, especialmente daqueles que acabam tendo uma fé ingênua por não terem contado com uma educação cristã consistente, para a crítica. Iniciativas como o Coletivo Bereia – Informação e Checagem de Notícias (www.coletivobereia.com.br), criado em 2019 por jornalistas e pesquisadores, e projetos como o Mentiras do Éden coordenado pela Frente de Evangélicos pelo Estado de Direito/Núcleo Minas Gerais, são importantes pois ajudam pessoas das igrejas a identificarem falsidades e enfrentá-las.

Na Bíblia, a orientação é que espalhar mentiras é um grande pecado, algo que desagrada Deus, o que Jesus atribui como ação do diabo, causador de confusão e pai da mentira (João 8.44). Fica o desafio para cristãs e cristãos romperem com traficantes de notícias falsas e deixarem este vício diabólico.

Por: Magali Cunha

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